Jornalista do acaso
De desajeitado vendedor de livros a jornalista de prestígio. Em poucas palavras, esse é o resumo da trajetória de Ricardo Boechat. E é difícil imaginar que essa carreira de sucesso tenha começado por acaso. Cansado de estudar, o menino de então 17 anos decidiu abandonar a escola para arrumar um emprego. “Queria trabalhar, ganhar meu próprio sustento”, diz. O jornalista conta que trabalhou em diversas áreas antes de ingressar no mundo da comunicação e acrescenta que “se tivesse sido bem-sucedido em alguma das atividades que iniciou, continuaria fazendo até hoje”.Com muito bom humor e sinceridade, Boechat relembra que as notas de gramática na época da escola eram vergonhosas. O seu forte era mesmo interpretação de texto e redação. “Nisso eu sempre fui relativamente bem”, admite. A grande oportunidade do apresentador surgiu em 1970, quando ingressou na equipe de Ibrahim Sued, no Diário de Notícias, e começou a traçar sua carreira como jornalista. Boechat foi colunista em O Globo, passou também pelo Jornal do Brasil e o Estado de S. Paulo. Escreveu o livro Um hotel e sua história, que narra toda a trajetória do Copacabana Palace, e ainda ganhou três prêmios Esso, dos quais se orgulha, mas não se vangloria.
São 37 anos de carreira e atualmente o jornalista apresenta o Jornal da Band e é âncora na Band News FM. “Estou vivendo o momento mais feliz da minha carreira”, declara ele, que atribui tanta alegria ao sucesso de seu programa no rádio, onde é simplesmente o “Ricardo Boechat”, e ao melhor índice de audiência da história do Jornal da Band.
Enquanto conversa em tom casual, o jornalista é surpreendido pelo celular, que toca ao som de U2. Antes de atender a ligação,ele protesta: “Juro que não fui eu quem colocou essa música. Nem sei mexer nisso”. O apresentador mostra não ter muita intimidade com a tecnologia, mas sabe que ela é essencial nos dias de hoje, inclusive no mundo da comunicação. “Os jovens jornalistas ganharam instrumentos que facilitam o trabalho. Em compensação, acredito que tenham perdido um pouco do ‘feeling’”, diz o veterano. A falta de conhecimento quando o assunto é inovação tecnológica não intimida Boechat, que acredita ser um bom profissional e, sem hipocrisia ou falsa modéstia, dispara: “Se disser que não sou, estarei mentindo. Minha carreira é bem-sucedida”.
Quando o assunto são as paixões de Boechat, no entanto, engana-se quem pensa que uma delas é o jornalismo. Os livros, sobre diversos assuntos, espalhados pela mesa do jornalista não deixam mentir que a leitura certamente faz parte dessa lista. O futebol com os amigos, a chamada “pelada ordinária” (SIC), é mais uma das coisas das quais ele não abre mão. Mas a verdadeira paixão é a filha caçula, Valentina. Ah! Valentina! Os olhos azuis esverdeados de Boechat transbordam de orgulho ao falar sobre a última dos seis filhos, agora com três anos. “Me casei de novo e tive mais uma filha. Valentina é muito carismática. Recomendo a todos que tenham filhos depois de velhos”, conclui.
Sério e, ao mesmo tempo, descontraído. Homem gentil que, vez ou outra, solta frases ácidas e sarcásticas. Assim é o jornalista que, todos os dias de manhã, entra na redação com um amontoado de jornais debaixo do braço e, com o jeito despojado e grande profissionalismo, não se prende a conceitos e declara: “Notícia boa é aquela que depois de ler você diz: PUTA QUE PARIU!” (SIC).
“Notícia boa é aquela que depois de ler você diz: PUTA QUE PARIU!” Genial... vou começar a selecionar por este critério. Soltei um "PQP" então o lance é bom mesmo..rs
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